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A Derechos Digitales promoveu debate sobre violência de gênero facilitada por tecnologias na CryptoRave de São Paulo

(Imagen: Adolpho Strambi)

No âmbito da CryptoRave realizada em São Paulo, um espaço de referência na América Latina para o encontro e debate sobre cultura digital, segurança e privacidade, a Derechos Digitales conduziu a sessão intitulada “Deepfakes, gênero e poder: desafios técnicos e regulatórios para enfrentar a violência facilitada pelas tecnologias”. O encontro, realizado no sábado, 9 de maio, teve como objetivo abordar com urgência a crescente difusão de aplicativos de manipulação de imagens e seu impacto direto no agravamento das dinâmicas de violência de gênero em ambientes digitais.

Durante a atividade, foi exposto como o avanço e a popularização das ferramentas de deepfake estão reconfigurando as agressões facilitadas por tecnologias, afetando de forma desproporcional meninas, mulheres e pessoas LGBTIQA+. As participantes apontaram que a criação e a divulgação não consentidas de imagens íntimas a partir dessas ferramentas de inteligência artificial se inserem em um contexto global e regional de aumento da violência online, intensificação de discursos misóginos e uma marcante guinada ao conservadorismo, particularmente entre homens jovens. Diante disso, a sessão propôs articular dimensões técnicas e marcos regulatórios a partir de uma abordagem baseada nos direitos humanos e na interseccionalidade.

Um dos pontos centrais do evento foi a apresentação, feita pela nossa analista de Segurança e Resiliência Digital, Ximena Cuzcano, de uma pesquisa recente realizada pela organização peruana Situada. O estudo analisou 105 aplicativos de deepfake disponíveis na Google Play Store, revelando padrões preocupantes de opacidade e reprodução de estereótipos de gênero. Entre as principais conclusões, constatou-se que quase metade das plataformas não informava quem eram seus desenvolvedores e que suas interfaces ofereciam categorias projetadas quase exclusivamente para a sexualização de mulheres, operando sob classificações de conteúdo “livre”  e sem mecanismos técnicos em seu design que prevenissem efetivamente abusos.

Diante das limitações das respostas atuais, o debate também se baseou no guia lançado pela Derechos Digitales em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA): Princípios orientadores para uma reforma legislativa e de políticas públicas contra a violência de gênero facilitada pela tecnologia. Esse documento fornece recomendações-chave para desenvolver ou reformar marcos legais contra a violência de gênero facilitada pelas tecnologias. Nossa coordenadora de Políticas Públicas, Marina Meira, moderadora do evento, apresentou os principais conceitos desse material.

A sessão contou ainda com a participação de especialistas de destaque: Bianca Kremer, do Instituto Dot; Julia Abad, coordenadora do IDEC; e Clarissa Mendes, assessora de Políticas Públicas do CGI.br. As palestrantes trouxeram perspectivas complementares a partir do ativismo e da academia, compartilhando suas reflexões e atuação a partir de casos concretos com enfoques de gênero e raça. A dinâmica do encontro combinou uma primeira etapa de exposição com uma segunda parte dedicada à troca e debate com o público presente.

A sessão foi encerrada com um apelo para continuar construindo reflexões coletivas e contextualizadas que permitam elaborar respostas técnicas e políticas eficazes contra a violência de gênero facilitada por tecnologias na região.