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Transparência tecnológica no Brasil: a Derechos Digitales acompanhou o lançamento da CTRL+Z

(Rebeca Figueiredo)

A Derechos Digitales participou recentemente do lançamento oficial da CTRL+Z, uma nova organização brasileira dedicada à defesa dos direitos humanos diante do poder das grandes corporações tecnológicas. Essa iniciativa surge como uma resposta direta à crescente assimetria de poder entre as Big Techs e a população, estabelecendo uma plataforma estratégica para a pesquisa, a mobilização social e a exigência de prestação de contas no âmbito digital do Brasil e da região.

Nossa coordenadora de Políticas Públicas, Marina Meira, esteve presente no evento de lançamento em São Paulo no último dia 10 de abril. “Vemos com grande entusiasmo o lançamento do CTRL+Z como uma iniciativa que busca enfrentar o poder desmedido das Big Techs, cujo domínio afeta de forma desproporcional a América Latina e agrava um claro desequilíbrio no ecossistema digital da região. Em muitos de nossos países, essas corporações nem mesmo mantêm presença institucional e, mesmo onde a têm, agem com escasso compromisso em relação às leis e decisões judiciais, priorizando sistematicamente o lucro acima do interesse público e dos direitos fundamentais. Somar novos atores dispostos a disputar esse poder é, portanto, muito positivo e importante”, destacou Meira.

A proposta central da nova organização brasileira é a criação de uma plataforma segura, acessível através do navegador Tor, projetada para que ex-funcionárias de grandes empresas de tecnologia possam denunciar práticas inadequadas e violações de direitos de forma anônima, como whistleblowers. Por meio de litígios estratégicos, e amparada na legislação brasileira, essa ferramenta busca romper as barreiras impostas pelas cláusulas de confidencialidade corporativa, permitindo que abusos relacionados a algoritmos, lobby político e vigilância venham à tona.

A CTRL+Z conta com uma equipe de reconhecida trajetória no setor, liderada pela diretora executiva Daniela da Silva, ex-chefe de políticas públicas do WhatsApp no Brasil, juntamente com o advogado Luã Cruz e a jornalista investigativa Tatiana Dias. Com o lançamento desta iniciativa, inicia-se uma nova etapa de resistência e transparência no Brasil, estabelecendo um precedente valioso para o restante da América Latina na busca por uma governança da internet onde a dignidade humana prevaleça sobre os interesses comerciais.